O ativo principal é humano, não físico
Empresas de consultoria — estratégia, gestão, recursos humanos, TI — têm pouquíssimo ativo tangível. O que se compra é a carteira de clientes, os contratos em vigor, a reputação de mercado e, sobretudo, as pessoas que prestam o serviço. Isto muda por completo a lógica de due diligence face a negócios com stock ou equipamento.
O que avaliar antes de comprar
1. Retenção da equipa consultora
Confirme se os consultores sénior (não só o sócio fundador) têm intenção de continuar após a venda — sem eles, os contratos em carteira podem não sobreviver à transição.
2. Contratos recorrentes vs. projetos pontuais
Diferencie receita de contratos de acompanhamento contínuo (mais estável) de projetos únicos já concluídos (não se repetem). Peça o pipeline de projetos futuros já assinados.
3. Concentração de clientes
Como noutros serviços B2B, verifique que percentagem da faturação vem dos maiores clientes — e se a relação é pessoal com o vendedor ou institucional com a empresa.
4. Cláusulas de não concorrência
Assegure-se de que o vendedor assina um acordo de não concorrência sólido — é comum, e particularmente danoso neste setor, um ex-proprietário levar clientes para um novo projeto concorrente.
Como se costuma valorizar
Tipicamente entre 2x e 3,5x o lucro anual, com prémio para empresas com contratos plurianuais e equipa consolidada independente do fundador.
Riscos a verificar
- Consultores-chave sem intenção de continuar
- Receita concentrada em projetos já concluídos, sem pipeline futuro
- Ausência de acordo de não concorrência com o vendedor
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